“Nem Cristo carregou sua cruz sozinho”, diz procuradora que quer foro especial para Flávio

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Dias atrás, a procuradora Soraya Taveira Gaya defendeu que o caso de Flavio Bolsonaro fosse encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A defesa do senador comemorou. No meio jurídico, porém, a peça escrita por Gaya vem sendo tratada com desdém e virou até motivo de piada nos corredores do MP, devido à “fundamentação heterodoxa”.
Ao analisar o pedido de Flávio, a procuradora, por exemplo, diz que o tema já foi muito discutido e, portanto, não há mais nada a acrescentar. “Não vamos mais reacender debates jurídicos e técnicos, até porque nada traríamos de novo. Colocaremos a questão sob outra ótica, à luz do que não podemos ignorar”.
A outra ótica de Gaya é, digamos, inusitada.

Ela alega que o MP “tem carregado um grande fardo nos ombros, sendo certo que não podemos trazer a nós, de forma isolada, tanta responsabilidade sem partilhar com nossos pares”.

“Nem Cristo carregou sua cruz sozinho”, afirma.

Gaya diz ainda que as provas estão nos autos e “se são válidas ou não” devem ser apreciadas pela autoridade competente nos autos.

“O Direito não é apenas um emaranhado de letras frias, deve ser interpretado com sentimento e sobretudo com Justiça”. E que o foro privilegiado “não tem nada” de privilégio. “Trata-se apenas de um respeito à posição ocupada pela pessoa”.

Pelo visto, a douta procuradora emaranhou-se nas letras frias da lei e em tantos outros clichês.

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